Audiência Pública na Câmara de Olinda discute saúde do trabalhador e da trabalhadora Olinda
Audiência Pública na Câmara de Olinda discute saúde do trabalhador e da trabalhadora
A audiência pública realizada na manhã desta quarta-feira (10), na Câmara de Vereadores de Olinda, teve como tema central a “Saúde do trabalhador e da trabalhadora como direito humano e condições dignas de trabalho”. O encontro reuniu representantes de sindicatos, entidades, órgãos públicos e servidores municipais, que debateram os principais desafios enfrentados pela categoria.
Ao declarar oficialmente aberta a audiência, o vereador Iran Barbosa destacou a necessidade de que o trabalhador disponha de condições adequadas de estrutura e saúde, tanto física quanto psicológica, para exercer bem sua função. O parlamentar encerrou sua fala citando uma mensagem de Lila Fernandes: “Dentro de nós existem três coisas fundamentais: a força, a fé e a vida.”
Entre as primeiras intervenções institucionais, a representante do Ministério do Trabalho enfatizou estar “de braços dados com os servidores e trabalhadores” e chamou atenção para o aumento dos casos de adoecimento mental. Ela anunciou que no próximo dia 16 de setembro será realizada uma audiência técnica de mediação entre o sindicato e o Ministério, com o objetivo de aprofundar o diálogo e buscar soluções práticas para os problemas levantados.
Representando a gestão municipal, a servidora Fabiana Berenguel, gerente da Vigilância Sanitária de Olinda, falou em nome da secretária de Saúde, Ana Callou, que não pôde comparecer devido a outros compromissos. Ela destacou que sua função era ouvir atentamente as demandas e encaminhá-las à secretária, reafirmando a disposição da Prefeitura em manter o diálogo e construir soluções conjuntas.
Na sequência, a Central Única dos Trabalhadores (CUT-PE) foi representada por José Carlos Tavares, o Carlão, servidor do Ministério da Saúde há 46 anos. Em sua fala, Carlão destacou o orgulho de servir ao povo e ressaltou a importância de valorizar o papel do trabalhador, tanto na área da saúde quanto em outros setores. Ele relembrou sua experiência em hospital geral, enfatizando que sua maior satisfação sempre foi poder acolher e ajudar colegas e pacientes.
Entre os parlamentares presentes, a vereadora Eugênia Lima trouxe uma reflexão que ultrapassou as fronteiras do município. Para ela, “uma gestão só é boa para o povo se também for boa para os trabalhadores, principalmente os concursados.” Eugênia lembrou o papel histórico dos efetivos durante a pandemia, quando servidores públicos foram fundamentais para manter serviços essenciais e construir respostas diante da crise sanitária. Sua fala conectou o debate local a pautas nacionais, como o fim da escala 6×1, a taxação dos super-ricos e a redução do imposto de renda para quem ganha até R$ 5 mil.
A presidenta do Sindicato dos Servidores Municipais de Olinda (SISMO), Silvéria Xavier, fez uma das falas mais contundentes da audiência. Ela denunciou que a vida e o ambiente de trabalho dos servidores não têm sido discutidos com a categoria nem respeitados nas mesas de negociação. Silvéria expôs a realidade da alimentação precária de muitos trabalhadores e alertou: “quando o servidor não é valorizado, a cidade também adoece.”
O SISMO também apresentou dados sistematizados sobre a realidade enfrentada pelos servidores municipais. A diretora Eronilde trouxe uma fala acompanhada de slides, nos quais expôs a situação de diferentes setores, como o Arquivo Público, a Guarda Municipal, o trânsito e a Secretaria da Fazenda. Em um dos painéis, a frase se destacou: “A política do SUAS em Olinda pede socorro.” Segundo ela, os problemas vão desde a falta de internet para atualização de cadastros até a disparidade entre efetivos (apenas 19) e contratados (114), precarizando o atendimento.
A audiência também deu voz aos aposentados. A servidora aposentada Silvia Paiva fez uma fala eloquente, denunciando o congelamento dos benefícios e a perda de poder de compra. “Aposentadoria não é favor, é direito garantido por lei”, afirmou, destacando que os aposentados enfrentam despesas cada vez maiores com medicamentos, transporte e energia, muitas vezes recorrendo a empréstimos para sobreviver. Em sua conclusão, Silvia lembrou que respeitar aposentados é também valorizar a história e o futuro da sociedade.
Outras entidades também participaram. O presidente do Sindicato dos Farmacêuticos de Pernambuco, Holdack Velôso, afirmou que não existe saúde sem dignidade no ambiente de trabalho. Denunciou que profissionais estão sem reajuste desde a pandemia e defendeu que a Câmara Municipal assuma responsabilidade, criando uma comissão com participação dos trabalhadores para discutir soluções.
Na continuidade, um representante sindical (a confirmar) destacou a necessidade de prever reajustes e concursos públicos na LDO e na LOA, ressaltando que sem valorização os servidores acabam migrando para outras cidades. Ele também propôs que o SISMO avance politicamente, ocupando espaço na Câmara para fortalecer a defesa da categoria.
A audiência foi marcada por um clima de firmeza e diversidade de vozes, refletindo as angústias, denúncias e propostas de quem vive o cotidiano do serviço público em Olinda. Ao final, ficou o compromisso coletivo de dar continuidade ao diálogo, transformando as falas em encaminhamentos concretos.
✍️ Fernando Kabral – Social mídia / Usuário SUS
📅 10 de setembro de 2025 – 18h31
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