GOVERNO FEDERAL ANUNCIA FORÇA-TAREFA CONTRA O ASSÉDIO ELEITORAL Não basta denunciar: é preciso informar, conscientizar e antecipar a desinformação para proteger toda a classe trabalhadora.


ASSÉDIO ELEITORAL: O GOVERNO PRECISA ANTECIPAR A DESINFORMAÇÃO, NÃO APENAS REAGIR ÀS CONSEQUÊNCIAS!

29 de outubro de 2026

Em 28 de outubro de 2026, o Governo Federal anunciou uma força-tarefa de combate ao assédio eleitoral, apresentada pelo ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho.

A iniciativa reúne seis instituições:

  • Ministério do Trabalho e Emprego (MTE);
  • Ministério Público do Trabalho (MPT);
  • Advocacia-Geral da União (AGU);
  • Tribunal Superior do Trabalho (TST);
  • Ministério Público Eleitoral (MPE);
  • Ministério da Justiça e Segurança Pública (MJSP).

Entre as medidas anunciadas estão o fortalecimento dos canais de denúncia, a fiscalização, a responsabilização dos envolvidos e ações de orientação aos trabalhadores.

Reconheço a importância dessa iniciativa. Trata-se de uma responsabilidade do poder público, necessária para garantir os direitos da classe trabalhadora. Mas também precisamos refletir sobre a necessidade de ampliar seu alcance.

O desafio é fazer essa proteção chegar a toda a classe trabalhadora!

O assédio eleitoral não acontece apenas com trabalhadores de carteira assinada. Acontece também na economia informal, entre autônomos, prestadores de serviços e tantos outros trabalhadores e trabalhadoras que sobrevivem sem os direitos assegurados pela CLT.

Segundo dados do IBGE, aproximadamente 38,8 milhões de brasileiros trabalhavam na informalidade no trimestre encerrado em agosto de 2026. Isso representa cerca de 37,5% da população ocupada.

Eu faço parte dessa economia informal e já vivi situações de assédio. Isso não começou agora. É uma prática antiga, que vem se aperfeiçoando, inclusive por meio da perseguição política e da disseminação do ódio.

E QUEM INFORMA, CONSCIENTIZA E PROTEGE ESSES MILHÕES DE TRABALHADORES?

O Governo Federal dispõe de uma enorme estrutura de comunicação: televisão, rádio, internet, redes sociais, jornais, canais públicos, campanhas institucionais e profissionais especializados.

Temos a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, o Ministério das Comunicações, a Empresa Brasil de Comunicação e as estruturas de comunicação dos diferentes ministérios e órgãos públicos.

Estamos falando de um país com mais de 8,5 milhões de quilômetros quadrados, 26 estados, o Distrito Federal e 5.570 municípios.

É justamente por causa dessa dimensão territorial que precisamos de uma comunicação pública capaz de alcançar cada região, cada comunidade, cada trabalhador e cada trabalhadora.

O GOVERNO PRECISA DE UMA COMUNICAÇÃO PROATIVA, PREVENTIVA E PERMANENTE!

Não podemos esperar que o problema aconteça para depois correr atrás do prejuízo.

Não podemos permitir que a desinformação chegue primeiro, forme opiniões, estimule preconceitos, alimente o ódio e somente depois seja enfrentada por campanhas oficiais.

A comunicação pública precisa antecipar os problemas.

Precisa planejar, pesquisar, estudar os comportamentos sociais, identificar os riscos e desenvolver campanhas educativas antes que as consequências apareçam.

Temos universidades, pesquisadores, profissionais de comunicação, tecnologia, inteligência e recursos públicos para construir essa estratégia.

Não se trata apenas de divulgar ações do governo. Trata-se de informar, educar, conscientizar e garantir que a população conheça seus direitos.

A INFORMAÇÃO QUE DESINFORMA NÃO PODE CONTINUAR PAUTANDO A COMUNICAÇÃO COM O POVO BRASILEIRO!

Enquanto determinados grupos e canais espalham informações distorcidas com enorme velocidade, a comunicação governamental precisa ser igualmente ágil, presente e acessível.

Não basta falar para quem já acompanha os canais oficiais.

É preciso chegar à periferia, ao campo, às comunidades, aos pequenos municípios, aos trabalhadores de aplicativos, aos vendedores ambulantes, aos autônomos e aos milhões de brasileiros que vivem da economia informal.

É preciso utilizar rádios comunitárias, emissoras regionais, redes sociais, canais públicos e todos os meios legítimos de comunicação disponíveis.

E não podemos esquecer que a comunicação pública deve servir a toda a população, independentemente de suas preferências políticas.

RECONHECER UMA INICIATIVA NÃO SIGNIFICA DEIXAR DE COBRAR RESULTADOS!

É importante registrar que já existiam iniciativas preventivas antes desse anúncio. Em agosto de 2026, por exemplo, a AGU e o MPT firmaram um acordo que também previa campanhas de informação.

Por isso, nosso questionamento é ainda mais necessário:

Qual foi o alcance dessas campanhas?

Quantos trabalhadores receberam informações sobre seus direitos?

Quantos trabalhadores informais foram alcançados?

Como essas ações chegaram às periferias e aos municípios mais distantes?

Quais indicadores o governo utiliza para avaliar os resultados de sua comunicação?

Não se trata de desmerecer o trabalho das instituições. Trata-se de cobrar uma política de comunicação à altura das necessidades sociais e da dimensão territorial do Brasil.

O combate ao assédio eleitoral exige fiscalização, investigação e responsabilização. Mas exige também educação, conscientização e prevenção.

A CLASSE TRABALHADORA NÃO SE RESUME À CLT!

Quem trabalha na informalidade também tem direitos, também precisa de proteção e também merece ser ouvido.

O Governo Federal não pode depender apenas de respostas emergenciais. Precisa desenvolver uma comunicação estratégica, planejada, contínua e capaz de se antecipar aos problemas.

A comunicação pública não pode viver apagando incêndios. Precisa trabalhar para impedir que eles comecem!

Essa é a reflexão que deixo: temos conhecimento, tecnologia, profissionais e estruturas públicas. Precisamos transformar tudo isso em informação acessível, presente e permanente na vida de cada brasileiro e de cada brasileira.

Fernando Kabral


FONTES E CANAIS OFICIAIS

Ministério do Trabalho e Emprego — anúncio da força-tarefa, 28/10/2026:

https://www.gov.br/trabalho-e-emprego/pt-br/noticias-e-conteudo/2026/outubro/governo-do-brasil-anuncia-medidas-contra-o-assedio-eleitoral-no-trabalho

Canal de denúncias de assédio eleitoral:

https://assedioeleitoral.trabalho.gov.br/

Ministério Público do Trabalho:

https://mpt.mp.br/assedio-eleitoral

IBGE — PNAD Contínua:

https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/trabalho/9171-pesquisa-nacional-por-amostra-de-domicilios-continua-mensal.html

Secretaria de Comunicação Social da Presidência:

https://www.gov.br/secom/pt-br

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