Dia dos Professores: Entre o Passado que Vivemos e o Futuro que Queremos Construir - Das marcas de uma educação autoritária às conquistas de gerações de educadores: uma reflexão sobre liberdade, valorização dos professores e o poder da educação para transformar pessoas e construir uma sociedade mais justa.


DIA DOS PROFESSORES — ENTRE O PASSADO QUE VIVEMOS E O FUTURO QUE QUEREMOS CONSTRUIR

Eu venho de um mundo dos anos 70 e 80. Um mundo em que muitas crianças, assim como eu, cresceram conhecendo uma educação marcada pelo autoritarismo, pelos castigos físicos, pela repressão e pela falta de liberdade para pensar, questionar e simplesmente ser quem éramos.

Vivemos uma época em que a palavra dos adultos era incontestável, em que o medo muitas vezes ocupava o lugar do diálogo e em que a disciplina se confundia com violência.

Mas também pertencemos a uma geração que acompanhou grandes transformações.

Acompanhamos as lutas, as resistências e as conquistas de professores e professoras que dedicaram suas vidas à construção de uma educação mais humana, democrática e transformadora.

Foram muitas batalhas, dentro e fora das salas de aula. Lutas por direitos, por melhores condições de trabalho, pela valorização profissional e, sobretudo, por uma educação que reconhecesse crianças e jovens como seres humanos capazes de pensar, questionar e construir seus próprios caminhos.

Hoje, quando olho para minha trajetória, reconheço que essas transformações também fazem parte da minha história.

A educação evoluiu, e nós evoluímos com ela. Mas nenhuma dessas conquistas aconteceu por acaso.

Elas nasceram da coragem de educadores, da organização coletiva, das mobilizações e da resistência de gerações que se recusaram a aceitar que ensinar fosse sinônimo de impor, castigar ou silenciar.

E é justamente por conhecer esse passado que compreendo a importância do momento que estamos vivendo.

Precisamos decidir que educação queremos para o futuro do Brasil.

Queremos avançar na construção de uma sociedade em que crianças e jovens tenham liberdade para pensar, questionar, aprender e desenvolver suas capacidades?

Ou queremos permitir o retorno de práticas autoritárias, de uma educação baseada no medo, na repressão e no silenciamento das diferenças?

Essa escolha não diz respeito apenas às escolas. Diz respeito ao tipo de sociedade que desejamos construir.

E é nesse contexto que me recordo de uma frase profundamente simbólica, pronunciada pelo arcebispo de Aparecida, Dom Orlando Brandes, em 12 de outubro de 2021:

“Para ser pátria amada, não pode ser pátria armada.”

Essa reflexão atravessa o tempo e nos convida a pensar sobre o Brasil que desejamos construir.

Uma arma pode impor o silêncio. Um livro pode despertar perguntas. E um professor pode ensinar uma criança que ela tem o direito de pensar por si mesma.

Entre a imposição pelo medo e a transformação pelo conhecimento, precisamos compreender que uma sociedade verdadeiramente livre se constrói com educação, respeito e oportunidades.

Ainda temos muito pelo que lutar. Precisamos de escolas estruturadas, professores valorizados, salários dignos, condições adequadas de trabalho e políticas públicas que coloquem a educação entre as maiores prioridades da nação.

Porque todas as profissões passam, de alguma maneira, pelas mãos de um professor.

E nenhuma sociedade pode falar seriamente em desenvolvimento enquanto não reconhecer a importância daqueles que formam suas gerações.

Neste 15 de outubro, minha homenagem tem um significado muito especial.

Ela vai para cada professora que, de alguma forma, também foi mãe no cuidado, na atenção e na formação de tantas crianças.

Vai para cada professor que também foi pai na orientação, no respeito e no compromisso com seus alunos.

E vai, especialmente, para aqueles educadores que enfrentaram e continuam enfrentando tantas lutas para transformar a educação brasileira.

São vocês que ajudam a nos transformar. E somos nós, transformados pela educação, que podemos transformar o mundo.

Que o futuro do Brasil seja construído com mais conhecimento, mais liberdade, mais respeito e menos repressão.

Que nenhuma criança precise ter medo de aprender, de perguntar ou de ser quem é.

E que nenhum professor precise lutar sozinho pelo reconhecimento da importância de sua profissão.

A EDUCAÇÃO TRANSFORMA PESSOAS. E PESSOAS TRANSFORMAM O MUNDO!

Meu respeito, meu reconhecimento e minha gratidão a todos os professores e professoras do Brasil.

Feliz Dia dos Professores!

Fernando Kabral
Olinda, 15 de outubro de 2026.

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