A RELIGIÃO QUE HABITA EM MIM Fé, cultura e política caminham juntas — respeito, representatividade e transformação social


A RELIGIÃO QUE HABITA EM MIM
Fé, cultura e política caminham juntas — respeito, representatividade e transformação social

Já estou na melhor idade. Não é novidade para ninguém: passei dos 60 anos, no meu caso isso é um milagre da ciência.

Quando falo na internet, gosto de falar com as minhas próprias palavras e com o meu próprio pensamento. Sempre procuro estar, no campo da virtualidade, o mais próximo possível da realidade.

Não posso permitir, em sã consciência, que máquinas e uma espécie de Matrix passem a controlar 100% da realidade do que somos. Para mim, isso é inaceitável.

Recuso-me a me tornar robótico, a me transformar em apenas mais uma engrenagem do sistema. É claro que, na era digital, todos nós acabamos adquirindo comportamentos eletrônicos de uma forma ou de outra. Isso faz parte do tempo em que vivemos.

Mas não posso permitir que a era digital mude ou molde o meu jeito de ser.

Eu sou o que sou também na virtualidade. Procuro agir com transparência acima de tudo. E não sou do tipo de levar desaforo para casa.

Na eleição para a Prefeitura de Olinda, quando perdemos o segundo turno, muita gente preferiu se recolher e desaparecer das redes. Eu e tantos outros fizemos uma escolha diferente: continuamos presentes, enfrentando um a um dos debates que surgiram.

Tenho o maior orgulho disso, porque fiz pelo meu partido e pelo que ele representa na minha vida ao longo dos meus longos 60 anos.

Por isso, não vou sair das redes. Independentemente de posições partidárias ou tendências políticas, eu continuo sendo quem sempre fui.

Sou eu. E continuo lutando por aqueles que me representam ou, pelo menos, representam a minha linha de pensamento.

A minha religião é a democracia.

A minha Bíblia é a Constituição Brasileira.

E, usando uma linguagem que está presente no imaginário popular, posso dizer que a minha devoção política é o Partido dos Trabalhadores.

Não é algo que eu queira escolher ou que tenha escolhido como quem escolhe uma roupa. É algo que está em mim.

Quem assistiu ao filme A Pele que Habito de Pedro Almodóvar, talvez compreenda melhor a metáfora.

O Partido dos Trabalhadores não é uma camisa que eu visto e tiro quando me convém. É algo que habita em mim. Faz parte da minha história, da minha formação, das minhas convicções e da minha maneira de enxergar o mundo.

Dito isso, vamos falar de religião.

Quando digo que sou agnóstico/teísta, levo pedrada, facada e bofetada — felizmente, no sentido figurado.

É impressionante como muitas pessoas reagem antes mesmo de procurar entender o que estou dizendo.

Talvez a palavra não seja "programadas". Acho que a palavra mais adequada seja "adestradas".

Muitas pessoas foram adestradas a rejeitar quem pensa diferente, a odiar antes mesmo de conhecer.

Eu nunca escondi quem sou. Nunca neguei minha orientação, nunca neguei minha identidade e nunca deixei de falar o que penso. Falo pelos cotovelos, e isso faz parte de mim.

Talvez por isso eu nunca tenha desejado ocupar cargos dentro do partido. Também nunca fiz parte de nenhuma tendência.

Fiz essa escolha porque sempre sonhei com um partido em que as pessoas pudessem caminhar juntas, sem transformar divergências internas em uma disputa permanente de "nós contra nós mesmos".

Sempre me pareceu insano que, dentro de um mesmo partido, as pessoas passem a enxergar a tendência para muito além da condição de adversária da outra.

E quem, como eu, não pertence a tendência nenhuma, muitas vezes acaba sendo visto com desconfiança por todas elas.

Minha grande inspiração política é Luiz Inácio Lula da Silva.

O que mais me inspira nele não é apenas a trajetória de vida, mas a capacidade de dialogar.

Lula conversa com gente da esquerda, do centro e da direita. Conversa com quem concorda e com quem discorda.

Essa disposição para o diálogo é, para mim, uma das maiores qualidades de uma liderança política.

É justamente por admirar essa capacidade que me entristece perceber que, muitas vezes, nós mesmos, no campo da esquerda, não conseguimos reproduzir esse comportamento.

Em vez do diálogo, surgem divisões. Em vez da escuta, surgem disputas internas.

Na minha percepção, o Partido dos Trabalhadores de hoje é muito diferente daquele partido mais humanizado que conheci décadas atrás.

Ao longo de mais de quarenta anos de história, muita coisa mudou. Em alguns momentos, tenho a impressão de que tudo ficou mais mecanizado e mais distante das pessoas.

Às vezes, parece que algumas lideranças passam a ser tratadas como se estivessem acima das demais, quando, para mim, todos deveriam ser tratados como iguais.

Essa é uma percepção pessoal. Não diminui o amor que tenho pelo partido.

Ao contrário: talvez seja justamente porque ele habita em mim que continuo acreditando que ele pode ser cada vez melhor.

Mesmo sendo agnóstico/teísta, existe um segmento religioso pelo qual tenho carinho, respeito e admiração.

Não entendo profundamente de sua religião, não frequento seus espaços e não faço parte de nenhuma casa. Mas acho tudo muito bonito.

Existe alguma coisa na história, na resistência, na cultura e na luta das religiões de matriz africana que dialoga profundamente com a minha cabeça e com a minha maneira de enxergar o mundo.

Talvez seja porque são religiões que atravessaram séculos de perseguição, preconceito, racismo e intolerância e, mesmo assim, continuam vivas, de pé, mantendo suas tradições, seus conhecimentos e sua capacidade de acolher e transformar comunidades.

Eu não posso dizer que faço parte da religião. Mas posso dizer que me sinto parte dessa luta.

Talvez seja por isso que eu também admire tantas mulheres da política.

Ao longo da minha caminhada, tive o privilégio de conhecer e aprender com muitas mulheres da política.

Teresa Leitão, Dani Portela, Eugênia Lima, Kari Santos, Vivian Farias e tantas outras mulheres que cruzaram o meu caminho fazem parte dessa história. Cada uma, à sua maneira, reforçou em mim valores como a escuta, a coragem, a sensibilidade e o compromisso com as pessoas.

Cada uma tem seu próprio estilo, sua forma de dialogar e sua maneira de construir a luta coletiva. Não preciso ocupar um cargo para me sentir parte desse processo. Sinto-me muito bem representado por mulheres que transformam mandato em presença, escuta, acolhimento e compromisso com a sociedade.

Foi justamente esse sentimento que reencontrei ao assistir aos vídeos publicados por Dani Portela ao lado de Kari Santos. Não enxerguei apenas uma visita a uma casa de axé. Enxerguei uma forma de fazer política que reconhece, respeita, aprende e caminha junto com o povo.

PARTE 2

Hoje assisti a três vídeos publicados nos stories da companheira Dani Portela, durante uma visita realizada ao lado da companheira Kari Santos a uma casa de axé.

As falas me representaram profundamente.

Falaram sobre a importância de tudo aquilo que fazemos na vida transformar não apenas a nós mesmos individualmente, mas fazer diferença coletivamente na vida de outras pessoas.

Falaram do trabalho social realizado pela casa, da distribuição de refeições, das atividades desenvolvidas junto à comunidade e da importância de construir consciência política dentro dos terreiros.

Também falaram sobre a necessidade de representação nos espaços públicos, principalmente diante do crescimento de grupos religiosos organizados politicamente e da intolerância que continua atingindo as religiões de matriz africana.

Uma das falas resume muito bem a força daquele momento:

"A fé nos atravessa e nos transforma individualmente pelos nossos caminhos, mas nos transforma coletivamente quando a gente forma uma casa, quando tem uma família, uma família de axé."

Outra frase também me chamou profundamente a atenção:

"Essa casa não está de portas fechadas. Está de portas abertas. E ela faz diferença no bairro, na cidade, no estado e no país."

É exatamente isso que admiro.

Talvez seja por isso que eu tenha feito essa associação entre os terreiros e o Partido dos Trabalhadores.

Assim como os terreiros atravessam gerações preservando sua memória, sua cultura e sua missão de acolher pessoas, também acredito que um partido político deve ser maior do que os mandatos e maior do que as pessoas que circunstancialmente ocupam seus cargos.

Mandatos passam. Lideranças se renovam. Pessoas vão e vêm. Mas as instituições, quando construídas coletivamente e sustentadas por valores, permanecem.

É essa permanência que me faz continuar acreditando no Partido dos Trabalhadores que habita em mim.

Uma religião que não fecha suas portas para a realidade, que não se limita ao indivíduo, que alimenta pessoas, acolhe comunidades, preserva sua história, enfrenta o preconceito e participa da luta por direitos.

Por isso, mesmo não sendo praticante, sinto carinho e respeito.

Não porque eu compreenda todos os seus ritos, mas porque compreendo a luta.

E quando reconheço uma luta por dignidade, liberdade, igualdade, respeito e democracia, sinto que também faço parte dela.

Os três vídeos ainda estão disponíveis apenas nos stories de Dani Portela:

Link abaixo.

23 de julho de 2026
Olinda, Pernambuco

#FéCulturaEPolítica #fernandokabral13 #PartidoDosTrabalhadores #ReligiõesDeMatrizAfricana #Democracia

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