Humor, Economia e Narrativas: o que estamos realmente dizendo?
Olá, Olá atodos e todas, nessa manhã de domingo.
Circula por aí uma frase com tom irônico, aparentemente uma piada despretensiosa:
"Passei o dia inteiro sem comer só pra ficar bêbado com dois copos de cerveja. O nome disso é responsabilidade financeira."
Parece leve, engraçado… mas como militantes da comunicação popular, vale refletir com mais profundidade. Quando a gente ironiza a precariedade econômica do cotidiano, mesmo com humor, podemos — sem perceber — acabar reforçando uma crítica negativa ao próprio projeto de transformação que estamos construindo e defendendo.
A verdade é que vivemos um cenário econômico difícil, e o governo Lula, em seu terceiro mandato, tem enfrentado uma dura resistência institucional. Sem maioria no Congresso, lidando com o avanço do bolsonarismo e enfrentando sabotagens constantes, o governo tem tentado avançar em políticas públicas e justiça social em meio a um campo minado.
Esse tipo de discurso irônico pode parecer inofensivo, mas quando naturalizamos a miséria como algo engraçado, acabamos obscurecendo o esforço político necessário para mudar essa realidade — e enfraquecemos narrativas importantes, mesmo sem intenção.
Nosso papel, como comunicadores populares, é disputar sentido.
Disputar narrativa. Disputar o imaginário coletivo. Mesmo entre companheiros e companheiras da esquerda, é essencial politizar o cotidiano, provocar reflexão e reafirmar nosso projeto de país.
Não se trata de corrigir ninguém — se trata de despertar consciência.
O humor tem seu lugar, mas precisa ser usado com sabedoria, sem abrir brechas para o esvaziamento político do que estamos construindo.
Fica aqui uma reflexão para o domingo: precisamos comunicar com alegria, mas também com consciência.
09h54 – Fernando Kabral | Olinda – Pernambuco
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