O Novo "Nova" Primavera 2025 Conteúdo informativo de cunho pessoal e opinativo.
O Novo "Nova" Primavera 2025
Conteúdo informativo de cunho pessoal e opinativo.
Eu fico me perguntando se a tal “Nova Primavera” não é, na verdade, uma tentativa desesperada de juntar essas milhares e milhares de pessoas que são filiados ao PT espalhados pelo Brasil todo. Uma tentativa, a meu ver, frustrante.
Porque se a gente compara o número de filiados que o PT tem — cerca de 1,6 milhão, segundo o TSE — o Nova Primavera deveria ser uma espécie de entrega do Oscar, com todo o glamour e a importância que uma ferramenta criada para reconstrução de ideias e fortalecimento da base merece. Deveria ser o tapete vermelho do partido. Uma celebração da volta às origens, da escuta da base, da reorganização política a partir dos territórios.
Mas a realidade foi outra: menos de 200 pessoas acompanharam a abertura da edição 2025 pelo YouTube. Isso dói. Isso diz muito. Isso escancara um distanciamento enorme entre a narrativa que se constrói e o real engajamento da base.
Essa já é a quarta ou quinta edição do Nova Primavera, uma ferramenta válida, sim — democrática, pedagógica, necessária. Porém, o que mais se torna evidente é a negligência com que ela tem sido tratada. Uma ferramenta tão poderosa, com a capacidade de transformar a política do país e de dar voz a milhares de militantes, mas que, ao que tudo indica, está sendo sufocada por um ciclo de desorganização interna e desconexão da verdadeira base do partido.
Qual é a real importância que o "Nova Primavera" vem tendo para os filiados? Se temos 1,6 milhão de filiados no Brasil inteiro e apenas algumas centenas se engajam desde a abertura, isso diz mais sobre o partido do que gostaríamos de admitir.
O Nova Primavera, ao contrário de ser uma tentativa falha, é uma ferramenta muito importante — ela possui um enorme potencial de renovação política, de reaproximação com a base e de formulação de propostas coletivas. Mas, sem o engajamento efetivo da base, o impacto dessa ferramenta acaba sendo muito reduzido.
Fico aqui, como base militante, castelando, como se diz aqui na minha comunidade. Me questionando: onde está o erro? Está no número inflado de filiados, muitos apenas ocupando posição formal no cadastro? Está na base que se desmobilizou e segue cada vez mais solta, distante da vida partidária real? Ou está no Nova Primavera, que, apesar de sua proposta, não consegue atravessar esse abismo e alcançar quem deveria ser seu principal público: o povo da base?
Um partido que se orgulha de ser o maior da América Latina precisa olhar para isso com seriedade. Não se trata de desqualificar a ferramenta, mas de refletir sobre sua real efetividade. Menos glamour, mais chão. Menos palco, mais território. Menos tapete vermelho, mais barro no pé.
Fernando kabral
Militante Político
22 de março de 2025 - 8:19
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